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A
ESPIONAGEM
Vamos dar apenas
alguns aspectos básicos sobre esse assunto, uma vez que dificilmente o Detetive
terá envolvimento com casos dessa natureza.
As origens de espionagem são remotas, utilizada especialmente em época de
guerra, constitui, em todos os tempos, forma de obter vantagem sobre o inimigo.
Os hebreus, de há muito tempo, já a utilizavam. Encontramos nas Sagradas
Escrituras, no livro de Josué, no Capítulo 2, o próprio Josué, organizando um
serviço secreto de espionagem contra a Cidade de Jericó, onde mandou dois
agentes secretos para aquela cidade fazerem levantamento das defesas militares
do local. Encontramos também na Ilíada de Homero, a história de Tróia, quando os
gregos, não conseguindo penetrar naquela cidade, ali deixaram um “presente” O
CAVALO DE TRÓIA, que nada mais era do que um serviço secreto de espionagem,
camuflado naquela obra fantástica de espionagem, na barriga do cavalo, que pela
sua aparência artística, seduziu os troianos a recolhê-lo como troféu de guerra,
levando-os a capturarem de maneira ridícula, pela inteligência dos serviços
secretos dos gregos. A realidade é que, a história dos serviços secretos que
utilizam a espionagem, se perde na noite dos tempos. Pode ser inspirada por
idealismo ou por interesses venais e mercenários. |
ESPIONAGEM INTERNACIONAL
Constitui crime contra a segurança de Estado, punida sempre com o maior
rigor pelos países atingidos, em tempo de paz ou de guerra, não obstante
ser considerada lícita durante as guerras, de acordo com o Direito
Internacional – Regulamento de Haia, data de 18 de outubro de 1907, o
que não livra os espiões ou agentes secretos, quando apanhados, de
julgamento e punição perante os tribunais dos respectivos países e mesmo
até à pena de morte.
Os serviços diplomáticos, se de um lado veio estreitar as relações
internacionais, de outro serve, freqüentemente, para acobertar
espionagem, feitas por agentes especializados, que recebem longo e
cuidadoso preparo, a fim de estarem em condições de agirem com
inteligência, arrojo, discrição e astúcia. Com o intuito de
contrabalançar esses problemas, quase todos os países do mundo mantém
agentes secretos de contra-espionagem e só permitem acesso a certos
locais ou serviços considerados de importância estratégica para a defesa
nacional, mediante rígido controle.
Como nos Estados Unidos, que possuem a CIA como berço da espionagem
mundial, no Brasil também temos nossa agência, que é a ABIN – Agência
Brasileira de Inteligência, com sede em Brasília. Este órgão veio
substituir o extinto SNI, muito atuante na época da ditadura militar.
ESPIONAGEM E CONTRA-ESPIONAGEM TÉCNICA
Diferentemente da Espionagem Clássica, que utiliza seres humanos para
conseguir informações, a ESPIONAGEM TÉCNICA emprega dispositivos
especiais que; quando profissionalmente instalados e manipulados
tornam-se poderosos aliados na obtenção de informações. Infelizmente
para o espião e felizmente para o Agente de Contra-Espionagem, a grande
maioria destes dispositivos, mesmos os importados de países
tecnologicamente desenvolvidos, são produtos de BAIXA QUALIDADE, tanto
no que diz respeito ao seu projeto puramente técnico, até sua montagem
propriamente dita, apesar de estarem envoltos em complexas siglas, que
para o operador iniciante subentende-se como "ESCUTAS PROFISSIONAIS".
Os dispositivos eletrônicos somente serão eficazes quando forem
designados e projetados para seus fins específicos. Exemplo pela
qual agências de inteligência do mundo inteiro desenvolvem suas próprias
escutas clandestinas, pois sabem quando, onde e como utiliza-las.
Torna-se óbvio que aparelhos vendidos indiscriminadamente e sob
produções massivas jamais podem intitular-se "Profissionais", uma vez
que utilizam esquemas idênticos, frequencias conhecidas e técnicas
comuns.
Na prática os equipamentos clandestinos não se restringem somente ao uso
de Micro-Transmisssores e Gravadores, como usualmente nos limitamos a
observar. Compõem-se dentro de uma vasta gama de circuitos engenhosos:
Equipamentos Infravermelhos, Ultra-Violeta, Laser, Ultra-Som, Corrente
Portadora (Telefone ou Rede), Emissão Secundária, Salas Quentes,
Amplificadores Parabólicos de Som, etc. Além de poderem estar
codificados, comprimidos ou pulsados!
Os DISPOSITIVOS CLANDESTINOS são classificados primariamente na
Contra-espionagem conforme seus aspectos físicos e de irradiação, sendo:
1- Bugs Acústicos
2- Bugs Ultrasonicos
3- RF Bugs (Rádio- Frequencia)
4- Bugs Óticos
5- Bugs Híbridos
Também são classificados RF Bugs em NÍVEIS DE SEGURANÇA. Estes , sendo
de muito maior importância na Contra-Espionagem, pois dependendo do
nível em que se encontra o dispositivo clandestino, consegue-se
identificar a especialização do indivíduo que o introduziu, podendo-se
ter idéia dos riscos que a vítima estabeleceu!
NÍVEIS DE SEGURANÇA
NÍVEL 1 -- Transmissores de BAIXA QUALIDADE, com potências acima de 50
mW, métodos de modulação comum, como AM, FM e de construção rudimentar,
FACILMENTE RASTREÁVEIS. Exemplos destes são geralmente encontrados em
anúncios de revistas, Spy Shops e de construção amadora.
NÍVEL 2 -- Bugs também de BAIXA QUALIDADE, mas de construção massiva por
empresas. Podem utilizar modulação AM, FM, OC, SSB, com frequencias
limite em torno de 1 GHz (1000 MHz). São facilmente encontrados em Spy
Shops e Agencias de Investigações, bem como FACILMENTE RASTREÁVEIS nas
varreduras de Contra-espionagem.
NÍVEL 3 -- Bugs de MÉDIA OU ALTA QUALIDADE, sendo o que os diferencia
são os aspectos técnicos, podendo serem manufaturados ou
industrializados em pequena escala. Utiliza métodos de modulações
diferenciados como NFM, WFM, FSK, PULSO, CPM, etc... ; além de emitir
potências menores que 20 mW e incluir frequencias até 3 GHz, com intuito
de DIFICULTAR SEU RASTREAMENTO por "Scanners" e "Sweepers" comuns.
NÍVEL 4 -- Nível AVANÇADO em se tratando de Bugs, pois utiliza-se de
frequencias acima de 3 GHz (até 40 GHz) e potências menores que 5 mW,
além de operarem com métodos de modulação "não comerciais", como BPSK,
DS/SS e QAM multi-megabit, podendo ainda estarem codificados (Scramblers)
ou comprimidos em espaço de tempo (Dwell time). Técnicos ou Detetives
sem equipamentos de ALTA PERFORMANCE e profundos conhecimentos neste
nível, JAMAIS encontrarão ou anularão tais dispositivos na
Contra-Espionagem!
NÍVEL 5 -- Nível "State of the Art", desenvolvido por Agências de
Inteligência de países desenvolvidos para uso próprio. Costumam ser
DISPOSITIVOS COMPLEXOS apesar de INCRIVELMENTE PEQUENOS. Trabalham com
largura de Banda (BW) de 500 a 800 MHz, frequencias de 40 a 325 GHz e
métodos de modulação "não comerciais", podendo até mesmo serem
desconhecidos no mundo técnico das Agências de Detetives Especializadas.
Como as potências de irradiação não ultrapassam 1mW, nessas frequencias,
torna-se praticamente IMPOSSÍVEL SUA DETECÇÃO sem Analisadores de
Espectro de altíssima velocidade e sensibilidade, cujos valores de
mercado ultrapassam US$ 50,000.00 e ainda necessitam de calibração
anual.
Estes 5 NÍVEIS DE SEGURANÇA, são considerados na Contra-espionagem como
BÁSICOS PARA CLASSIFICAÇÃO DE DISPOSITIVOS CLANDESTINOS podendo contudo,
haver situações em que caberá ao Detetive especialista em determinar o
nível de certo dispositivo, pois poderá haver características paradoxas
de diversos níveis implantados nele.
Ainda nesse contexto gostaríamos de afirmar que não devemos nos iludir
com qualquer que seja o dispositivo quanto ao seu nível de segurança. Um
simples dispositivo de Emissão Secundária, por exemplo, baseando-se em
sua construção, se limita ao Nível 1, mas, na frequencia, potência e
localização certa, nas mãos de um especialista, se torna tão
profundamente prejudicial quanto ao Nível 5 .
Outra observação importante em relação aos respectivos níveis de
segurança, que poderá causar espanto aos iniciantes, está em suas
POTÊNCIAS IRRADIANTES, sendo proporcionalmente menor a cada nível
superior, quando muitos pensavam o contrário, justamente para se obter
maior alcance. Isso se deve ao fato de que na Contra-Espionagem se torna
muito fácil interceptar qualquer sinal acima de 20 mW com equipamentos
convencionais de rastreio!
Mas, afinal, o que devemos fazer quando suspeitarmos de GRAMPOS,
ESCUTAS OU INTERCEPTAÇÕES na empresa ou residência do nosso cliente?
PASSE AO SEU CLIENTE AS SEGUINTES INSTRUÇÕES:
1 – FAZER DE CONTA QUE NÃO SABE DA ESCUTA , pois uma mudança brusca de
comportamento poderá expor seu cliente junto ao espião, tanto para o
descobrimento da escuta, quanto a possíveis ataques anônimos
(chantagens);
2 - Não discutir mais assuntos de importância no ambiente, ou ao
telefone, e não fazer sinais visuais, pois ele também pode estar sendo
filmado;
3 - Não comentar sobre esta suspeita a nenhum funcionário ou amigo
próximo, pois embora aquelas pessoas possam parecer de total confiança,
seu cliente não saberá de seu comportamento a partir daquele momento,
nem se foram eles que implantaram o dispositivo;
4 – Se você não estiver tecnicamente habilitado, ajude seu cliente a
consultar um ESPECIALISTA em Contra-Espionagem, mas tenha em mente que
no Brasil inteiro existem muito poucos deles e o custo de seus trabalhos
são bem elevados;
5 - Na consulta, JAMAIS utilizem telefone ou E-mail próximos a área
suspeita, procure um Orelhão distante ou Cabines de Internet em
Shoppings Centers, e não esqueça de deletá-los após serem enviados;
6 - Caso encontrem uma Agência de Investigações com essa especialidade,
procurem conhecer o especialista, verifique se o mesmo possui
Equipamentos Profissionais e conhecimento profundo na área. (Eletrônica
e Telecomunicações) Procurem fornecer o mínimo de informações a ele
antes de um possível acordo;
7- Sejam discretos em todos os contatos;
8 - Não contatem a Operadora Telefônica pois eles não saberão o que
fazer e se limitarão apenas a retirar os grampos;
9 - Não contatem a Polícia imediatamente, pois os poucos especialistas
estão na Polícia Federal. Detetives e Peritos das Polícias Civis jamais
descobrirão sua origem;
10 – NÃO CONTATE AGÊNCIAS DE CONTRA-ESPIONAGEM LOCAIS pois eles mesmos
podem ter grampeado seu cliente. Contate se possível, agências
localizadas em outro estado;
11 – Tomar cuidado com o que se fala ao Celular e Telefones sem fio ,
pois podem ser facilmente interceptados;
12 - Acompanhe o serviço de perto, senão seu cliente, poderá perder
dinheiro e não ter sua segurança restabelecida.
Em resumo, podemos esclarecer que o SUCESSO de uma escuta clandestina
se deve principalmente as suas características, sua construção e
perfeita instalação, facilitada com a maioria INEFICIENTE de técnicos da
Contra-Espionagem. |
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